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20 de janeiro de 2018

Publicações em revistas médicas

Publicações em revistas médicas

Uma proposta inovadora para as revistas médicas alternativas científicas G Vithoulkas*

Carta ao Editor Os homeopatas contemporâneos de todo o mundo são testemunhas de uma das coisas mais estranhas que já ocorreram em nossa complexa sociedade científica moderna, ou seja, que nossas revistas homeopáticas mais prestigiadas com um "factor de impacto", raramente, se alguma vez, publicaram estudos sobre casos tratados e curado com a homeopatia. Porque isso é assim? [1] Vamos examinar essa questão. É um fato bem conhecido na comunidade internacional de homeopatia que, todos os dias, há literalmente milhares de pacientes crónicos tratados com sucesso em todo o mundo através da intervenção de remédios homeopáticos. Todos os homeopatas observaram as ocasionais "curas milagrosas" que ocorrem em sua própria prática e na de seus colegas. No entanto, apesar dessas notáveis "curas", é muito estranho que quase nenhum desses casos evidentes apareça em nossas revistas de homeopatia. Homeopatas e pacientes sabem que milhões de tratamentos bem-sucedidos ocorrem o tempo todo e em todo o mundo. No entanto, parece que os editores de revistas importantes estão alegremente inconscientes deste fato. O protocolo de triagem deles é tão eficiente que os estudos de caso são incapazes de passar até mesmo pelo mais despreocupado dos revisores. Esses revisores "mestres" geralmente são grosseiramente desinformados sobre a homeopatia verdadeira,suas regras e seus princípios. A maioria deles não são prescritores e nem professores de homeopatia! Esses "auto-designados" decanos da homeopatia protegem os pilares das "evidências científicas" com tanto entusiasmo que nenhuma evidência tem permissão para se tornar um conhecimento público. No entanto, há evidências irrefutáveis de que este planeta é uma verdadeira cornucópia de casos homeopáticos tratados com sucesso. A infinidade de sucessos pode ser evidenciada pelo fato de que a homeopatia é praticada de forma eficaz nos países super povoados, como a Índia, Paquistão, Brasil e outros países sul-americanos. Contra evidências tão esmagadoras, é verdadeiramente notável que esses chamados "guardiões científicos" da nossa ciência conseguem empregar as desculpas mais absurdas para não publicarem estudos sobre os casos curados. No entanto, a única evidência que a homeopatia pode apresentar ao mundo científico neste momento são esses milhares de casos curados. É uma perda de tempo, dinheiro e energia tentar demonstrar a eficácia da homeopatia através de ensaios duplo-cego. Por causa dessa negligência, a comunidade internacional "científica", que não tem percepção direta e nem experiência pessoal dos efeitos benéficos da homeopatia, é forçada a repetir o mesmo antigo mantra: "Onde está a evidência? Mostre-nos as evidências!" Devido a essas omissões graves feitas pelos revisores das revistas de homeopatia "científicas", os sucessos da homeopatia permaneceram ocultos nos consultórios de homeopatas trabalhadores - e, portanto, são amplamente ignorados pelas autoridades médicas do mundo, pelos governos e por toda a comunidade científica internacional. Devido a essas táticas, o génio do sistema homeopático da medicina continua a ser ignorado em geral, com o efeito colateral de que milhões de pessoas doentes, inconscientes de sua existência, continuam a sofrer desnecessariamente. Deve ser acrescentado aqui que a homeopatia, por ser um sistema individualizado da medicina, só pode apresentar resultados em casos individuais. A homeopatia diz respeito à individualização e não à generalização. Esta modalidade de tratamento não pode produzir um remédio que curará cancro, asma, esclerose múltipla, colite ulcerativa ou qualquer outra doença crónica, mas possui o potencial de curar muitos desses casos, se tratados corretamente com os remédios indicados individualmente para os pacientes. Portanto, perguntas simples que geralmente são feitas pelos "ignorantes" como, por exemplo: "A homeopatia pode curar cancro, esclerose múltipla, colite ulcerativa, etc.?" são inválidas e não podem obter uma resposta directa porque a realidade é que muitos desses casos poderão ser significativamente melhorados e um número desses casos poderá ser curado. Se eles se recusarem a publicar provas cruciais de casos homeopáticos bem manejados nas revistas científicas de homeopatia, onde na Terra poderão ser apresentadas essas provas palpáveis de modo que todos os interessados possam ser consciencializados e julgarem por si mesmos, os méritos desta importante modalidade terapêutica? Suponho que existam três razões possíveis para esta situação infeliz:
a. Ou existe um esforço organizado para impedir a evidência crucial vir à tona, uma teoria que eu pessoalmente não acredito, uma vez que não há evidências disso.
 b. As revistas científicas de "homeopatia" são relutantes em apresentar casos curados por temerem críticas.
c. O pensamento dos revisores é tão inexplicavelmente complexo e complicado que eles se encontram rejeitando um caso de sucesso, mesmo quando a evidência está fora de qualquer dúvida. Outro ponto perturbador é que algumas revistas de homeopatia afirmam categoricamente que não aceitarão estudos de casos curados! Eu proporia outra estratégia. Se essas revistas optarem por convidar médicos homeopatas para relatarem seus casos curados e seus fracassos também, um enorme corpo de evidências importantes poderia ser acumulado sobre o que a homeopatia é capaz ou não de fazer. A homeopatia é um sistema dinâmico de medicina que possui o potencial para crescimento significativo e ajuda a lidar com muitos dos problemas de saúde globais que existem hoje. No entanto, ainda precisamos solucionar muitas preocupações e discutir muitas questões não respondidas. Por que, por exemplo, em um caso de artrite reumatoide, um paciente é curado com um ou dois remédios em um período de alguns meses, enquanto outro precisa de quatro ou mais remédios em um período de vários anos, mesmo sob prescrição cuidadosa? Quais são os parâmetros que definem uma ou outra resposta? Por que, em um caso, a repetição diária de uma potência elevada é uma falsa tática com um resultado negativo, enquanto em outro caso é necessário e associado a resultados positivos? Por que as potências baixas funcionam melhor em um caso, enquanto as potências altas são melhores para outro paciente, mesmo quando eles apresentam a mesma patologia? Por que, em certos casos, temos uma forte agravação inicial, enquanto em outros, o efeito é suave e sem agravação? O retorno de sintomas antigos é um bom presságio para uma cura duradoura? Entendemos o que realmente ocorre com esse tipo de desenvolvimento em um caso? Os sintomas antigos devem ser tratados ou deixados para se resolverem sozinhos? Quando devemos esperar o retorno de sintomas antigos? Isso ocorre em todos os casos? Quais são os parâmetros que mostram que um remédio atua como um agente paliativo e não como um agente curativo? Quais são os sinais de que um remédio atuou de forma profunda e curativa, ao contrário de atuar apenas perturbando o organismo? [2,3] Posso mencionar centenas de perguntas, mas as respostas não são o trabalho de um único indivíduo, mas de um grupo internacional de bons prescritores. Tal empreendimento poderia ser realizado por uma revista de prestígio que tenha os meios financeiros e científicos para executar essa tarefa. Uma revista poderia convidar um número selecionado de bons prescritores de todo o mundo como um começo para este projeto e deixá-los contribuir com suas experiências e resultados honestos, bem como suas falhas. As possibilidades e limitações logo serão reveladas. Desta forma, a homeopatia se tornará interessante e viva, e os leitores aumentarão de forma espetacular. Por exemplo, devido aos avanços tecnológicos, agora é possível coletar centenas de casos de gangrena de todo o mundo: casos seriamente desenvolvidos nos quais as amputações foram consideradas necessárias e mostrar ao mundo que agora essas pessoas podem caminhar sobre as duas pernas novamente. O mesmo é possível com vitiligo, no qual o efeito é óbvio. [4,5] O fato é que será percebido em todos esses casos, que eles foram tratados com remédios diferentes e que um ensaio duplo-cego, portanto, não é aplicável, ou mesmo quando aplicado, seria necessário uma série de compromissos em diferentes níveis. Eu, pessoalmente, tenho evidência em um vídeo de 1990, diante de trezentos médicos em Celle, na Alemanha, onde eu apresentava um seminário, tratei um caso de uma mulher de 72 anos com gangrena avançada (diabética) que havia entrado no hospital das proximidades para amputações das duas pernas ao nível das coxas. Em três dias, e enquanto o seminário estava em andamento, o fluxo sanguíneo foi restabelecido nas pernas após dois dias de tratamento e a mulher recebeu alta hospitalar após 10 dias, com ambas as pernas intactas. [6] Dez anos depois, uma carta de sua filha (médica e que participou do meu curso), confirmou que a idosa viveu pacificamente e caminhava sozinha sobre os dois pés nos dez anos seguintes. Sem a intervenção da homeopatia, essa mulher teria vivido os últimos anos de sua vida em uma cadeira de rodas. Há literalmente centenas de casos semelhantes a esse, tratados de forma exitosa em países como a Índia e o Paquistão, onde essa patologia prevalece. As evidências podem ser apresentadas através de fotos, vídeos e outras mídias modernas de alta tecnologia. Por que devemos suprimir essa prova significativa e tangível da eficácia da homeopatia em um momento tão crucial na história da medicina? Quando, mais do que em qualquer outro momento, precisamos esclarecer a confusão que foi criada em questões de saúde? Ao não publicarmos os casos, escondemos os potenciais de um sistema terapêutico tão impressionante. A homeopatia não é capaz de curar todas as doenças crónicas, especialmente se a doença já avançou além de um certo ponto em sua patologia. Por outro lado, a homeopatia tem o potencial de tratar com sucesso doenças que a medicina convencional não consegue curar ou, em certos casos, nem sequer paliar. Não é tarefa de uma revista homeopática séria disponibilizar sua plataforma para discutir e explicar essas questões? Eu admito que um argumento contra aceitação de casos é que é possível que informações falsas ou não confiáveis possam ser fornecidas. Esse risco poderia ser minimizado ao pré-selecionar um grupo bem conhecido de bons prescritores, que poderiam ser convidados a enviarem seus casos, pelo menos na primeira fase de uma mudança tão radical na política das revistas. Uma plataforma para o envio de estudos de casos poderia ser construída com directrizes para garantir a confiabilidade. Outra possibilidade poderia ser uma validação de um pequeno grupo de especialistas locais que poderiam actuar como avaliadores. Esses especialistas podem estar baseados em cada país e associados ao jornal. [7,8] Além disso, esse corpo poderia entrar em contacto com os pacientes, até mesmo entrevistá-los em relação aos seus próprios casos. Os pacientes também devem ser educados e encorajados a falar publicamente sobre suas próprias experiências. Dessa forma, em vez de rejeitarem estudos de caso homeopáticos importantes, em nome de um intelectualismo e conservadorismo seco, as revistas de homeopatia (incluindo revistas alternativas e complementares) poderão se tornar vivas e interessantes: iniciar debates e discussões sobre questões reais da terapêutica na medicina. Nas revistas antigas de homeopatia, observamos muitos desses casos, e sabemos que, na virada do século 20, a homeopatia era a forma de medicina mais popular, ensinada em mais de cem faculdades homeopáticas nos EUA. [9,10] Eu acredito que a popularidade desse tratamento deveu-se principalmente à publicação de casos curados e às discussões que se seguiram. A nossa própria "Medicina Baseada em Evidências" reside em um grande número de casos crónicos tratados com a homeopatia, os quais podemos apresenta-los ao mundo, juntamente com a melhoria na qualidade de vida que essas curas oferecem.


Referências:1. Akers KG. New journals for publishing medical case reports. J Med Libr Assoc. 2016 Apr;104(2):146– 149. [PMC free article] [PubMed] 2. Vithoulkas G. Levels of Health. Alonissos: International Academy of Classical Homeopathy; 2017. 3. Vithoulkas G, Tiller W. The science of homeopathy. Athens: International Academy of Classical Homeopathy; 2009. 4. Mahesh S, Mallappa M, Vithoulkas G. Gangrene: Five case studies of gangrene, preventing amputation through Homoeopathic therapy. Indian Journal of Research in Homeopathy. 2015;9(2):114–122. 5. Mahesh S, Mallappa M, Tsintzas D, Vithoulkas G. Homeopathic Treatment of Vitiligo: A Report of Fourteen Cases. American Journal of Case Reprots. Forthcoming 2017. 6. Vithoulkas G. Homeopathy Medicine for the New Millennium. 28th ed. Alonissos: International Academy of Classical Homeopathy; 2015. pp. 78–80. 7. The future of Homeopathic research [Internet] International Academy of Classical Homeopathy | Official website. 2017. [cited 2017 Sep 18]. Available from: https://www.vithoulkas.com/research/articl es/futurehomeopathic-research. 8. Guidelines Concerning Research in Homeopathy [Internet] International Academy of Classical Homeopathy |Official website. 2017. [cited 2017 Sep 18]. Available from: https://www.vithoulkas.com/research/articl es/guidelines-concerning-research- homeopathy. 9. Dewey W. A. Homeopathy in influenza: a chorus of fifty in harmony. J Am Inst Homeopath. 1921;11:1038–1043. 10. Quinton P G. Analysis of 100 consecutive cases. British Homeopathic Journal. 1945;35(1):6–21. Os artigos da Journal of Medicine and Life foram fornecidos como cortesia de Carol Davila - University Press

24 de setembro de 2017

Homeopatia atua com eficácia na doença de Chagas

Homeopatia atua com eficácia na doença de Chagas

O parasita protozoário, Trypanosoma cruzi , é o agente causal da doença de Chagas, uma zoonose que pode ser transmitida aos seres humanos por insectos de triatomíneos que se alimentam de sangue.

Um vetor de inseto triatomíneo infectado ao picar liberta trypomastigotas nas suas fezes perto do local da ferida resultante da picada. Os tripomastigotas entram no hospedeiro através da ferida ou através de membranas mucosas intactas, como a conjuntiva e a mucosa oral. 
Os tripomastigotos infectam células de uma variedade de tecidos e se transformam em amastigotas intracelulares em novos locais de infecção. As manifestações clínicas podem resultar deste ciclo infeccioso. Os tripomastigotas ingeridos transformam-se em epimastigotas no intestino do vetor.  O Trypanosoma cruzi também pode ser transmitido através de transfusões de sangue e transplantes de órgãos.
Efeito benigno imunomodulador e neuro-digestivo na infecção pelo Trypanosoma cruzi após tratamento com Lycopodium clavatum 13CH
  •        L. Clavatum na dinamização 13CH, produziu uma acção imunomoduladora em ratos infetados com T. cruzi.
  •      O equilíbrio de citoquinas em animais tratados foi relacionado com um maior número de neurónios mientimais.
  •     Os animais tratados apresentaram hipertrofia neuronal no cólon distal e proximal.
  •      L. clavatum 13CH reduziu a progressão patogénica da doença de Chagas digestiva.

Referências:


23 de setembro de 2017

Seguro Responsabilidade Civil para TNC


Uma proposta para o seguro de responsabilidade civil para TNC:
A ASIMI fez um protocolo com a Hiscox para a obtenção de condições especiais para os seu associados.

Seguro Responsabilidade Civil Profissional

Relativamente ao Seguro, a ASIMI em colaboração com a seguradora Hiscox propõem uma apólice de responsabilidade civil profissional para os associados/profissionais de terapêuticas não convencionais, conforme Lei n.º 71/2013 de 2 de Setembro.

Actividades seguras

– Homeopatia
– Acupunctura
– Fitoterapia
– Naturopatia
– Medicina Tradicional Chinesa.


Acção Social e Voluntariado

Os sócios/profissionais podem participar no projecto Social da ASIMI - os Encontros de Medicina Integrada. Estes Encontros consistem em, através do contributo de uma equipa de profissionais de saúde, em regime de voluntariado, aplicar cuidados de saúde gratuitos a quem mais precisa através de uma bolsa de voluntários.






Homeopatia melhora condições crónicas

Estudo

(...)
Num total de 198 pacientes com uma grande variedade de queixas foram acompanhados em uma a cinco consultas homeopáticas com 20 profissionais diferentes. As patologias mais diagnosticadas foram neoplasmas (16,7%), psicológicas (13,9%) e genitourinárias (12,3%), com 66,7% sofrendo esses problemas por pelo menos um ano. Os três sintomas que mais incomodaram os pacientes foram dor, sintomas mentais e cansaço com fadiga. Um teste t de amostras pareadas usando uma análise de intenção de tratar mostrou que a pontuação do perfil MYMOP2 melhorou de 4.25 (IQR 3.50-5.00), com uma mudança média de 1.24 (95% CI 1.04, 1.44) do primeiro para o última consulta (p <0,001). Os resultados foram estatisticamente significativos tanto para os finalizadores (n = 91) (p <0,001) como para os não finalizados (n = 107) (p <0,001) usando a última observação-continuada, embora os finistas tenham melhorado do que os não finalizados (p <0,001). O significado clínico geral das melhorias foi pelo menos moderado. Um teste de ANOVA de medidas repetidas também mostrou melhorias estatisticamente significativas. (...)

CONCLUSÃO:

Os resultados do MYMOP2 aumentam o número crescente de dados observacionais, o que demonstra que, quando os pacientes com condições de longo prazo recebem cuidados homeopáticos, a sua apresentação de sintomas e bem-estar muitas vezes melhoram. Oferecer uma intervenção de baixo impacto de alto impacto para ampliar o leque de escolha aos pacientes e apoiar o autocuidado pode ser uma parte importante do sistema de saúde.
Fonte:
http://ilovehomoeopathy.com/patient-reported-outcome-measure-homeopathic-clinical-practice-long-term-conditions/#.WcariJ_OXqC

PALAVRAS-CHAVE:

Homeopatia ; Condições de longo prazo; MYMOP; Cuidados pessoais
PMID: 27914570
DOI:  10.1016 / j.homp.2016.05.001

Seminário Dra. Beatrix Gessner, Lisboa Setembro 2017


Drª Beatrix Gessner

1° Seminário do Ciclo de Estudos Avançados em Homeopatia da ACH - Academia Homeopática
Aconteceu em Lisboa, no passado dia 09 de Setembro 2017 o seminário que marcou o início  de um conjunto de atividades que serão promovidas pela ACH, Academia Homeopática - Grupo de Estudos Avançados em Homeopatia.
O seminário que contou com cerca de 30 participantes, teve como oradora a Dra. Beatrix Gessener que nos trouxe a sua experiência de mais de duas décadas de prática clínica.
Os temas deste 1° Seminário foram: •Diagnóstico diferencial entre Calcarea carbonica, Calcarea sulfurica e Sulphur. Matéria médica. Casos clínicos. Potências LM•
A Dra Beatrix Gessner é docente e supervisora de cursos oficiais de Homeopatia clássica para médicos e membro da Federação dos médicos Homeopatas na Alemanha.
Exerce homeopatia clássica desde 1993 em Konstanz.
O seminário foi muito interessante e os momentos de partilha foram vividos num ambiente caloroso entre todos os participantes.

Brevemente haverá mais novidades!

Academia Homeopática



Nasceu em Setembro 2017 uma iniciativa com a coordenação do Homeopata (ND) Rui Pinto, a ACH.

A academia pretende reunir profissionais e estudantes de Homeopatia que estejam interessados em aprofundar conhecimentos e partilhar experiências.

Como sempre, este tipo de inicativas tem todo o meu apoio, motivo pelo qual foi sem hesitar que aceitei de imediato o convite para integrar como membro participativo nesta academia de estudo.
Desejo o maior sucesso a esta iniciativa e espero que mais estudantes e profissionais se juntem a nós para o crescimento sustentado da boa prática e divulgação da homeopatia pelo Mundo.

Veja o Link e obtenha mais informações pelo e-mail

homeoacademia@gmail.com

https://www.facebook.com/groups/1982904671928062/permalink/1984257898459406/


3 de setembro de 2017

Agaricus muscaricus

Agaricus muscaricus
(Cogumelo louco)

Delírio com exaltação das forças musculares, raivoso.
Foge da cama, não reconhece os seus conhecidos, discurso incoerente, canta, muda rapidamente de um assunto para o outro. Taciturno, recusa -se a responder às perguntas que lhe fazem.
Raiva constante, demência alcoólica, delírium tremens.
Paralisia geral progressiva, megalomania, audácia exagerada, hilariante, excitação seguida de depressão, confusão e imbecilidade, vertigem com tendência a cair para trás.
Apetite exagerado.
Forte desejo sexual com impotência.
Perturbações nervosas por estudos prolongados, fadiga cerebral, aversão ao trabalho mental e físico, muita dificuldade em se concentar.
Crianças oligofrénicas que são lentas a  aprender a andar e a falar.
Aversão ao toque e <.
Sobressaltos e sacudidas ao adormecer, param quando adormece.
Compadece-se de si mesmo.
Excessiva atividade muscular involuntária: decididas, estremecimento, sobressaltos, mioclonias, tremores, movimentos coéricos .
Tudo cessa durante o sono.
Convulsões como se eletrizado. Catalepsia. Coreia, < antes das tempestades.
Efeitos de congelamentos localizados, frieiras (gosto, orelhas, nariz, mãos, pés, dedos) que ardem intoleravelmente que < pelo frio.
Frio < e é frequente nos sintomas de Agaricus.
Sensações extremamente dolorosa como se lhe espetassem agulhas de gelo ou agulhas quentes também.
< depois do coito, desmaios, convulsões, dores no sacro, suores profundos.
Formigueiro com sensação de dormência e calafrios nos pés e coluna.
Cefaleia dos alcoólatras.
Lateralidade cruzada dos sintomas predominando no lado esquerdo superior e  direito inferior.
< sentado ou em pé, depois do movimento, pela pressão, de manhã, antes de uma tempestade, pelo sol.
Dores como que provocadas por espinhos.
Taquicardia depois de evacuar.
Fraqueza ao mínimo esforço. Desmaia por causa de perfumes ou vinagre.
Vertigem por forte luz solar e ao caminhar.
Cabeça em constante movimento. A cabeça cai para trás como se a nuca fosse muito pesada.
Cefaleia frontal de manhã que irradia até à raiz do nariz, com epistaxe ou secreção mucosa espessa cefaleia causadas por ingerir bebidas alcoólicas ou excessos sexuais.
Sensação de frio gelado na cabeça, < ao coçar.
Dificuldades na leitura "as letras mexem-se" Miopia. Visão dupla, ou turva. Astenopia pelos esforços visuais prolongados. Visão dupla ou turva. Espasmos das pálpebras e globos oculares, < pioram com as tempestades.
Nistagmos, de lado a lado, pendular, rápido, involuntário, convulsivo. Visão de moscas volantes marrons. Os olhos giram. As extremidades das pálpebras picam, ardem, colam.
Úlceras de córnea.
Edema das glândulas lacrimais.
Frieiras nas orelhas.
Epistaxe em idosos e na cefaleia ou ao assoar o nariz de manhã.
Ponta do nariz vermelho azulada. Descarga nasal fétida, sanguinolenta e profusa.
Espirros espasmódico ao acabar de tossir.
Nevralgia facial como se agulhas de gelo corressem pelos nervos.
Range os dentes a dormir.
Gaguez na excitação.
Eructações com sabor a ovo podre ou maçã. Dores agudas com pontada no fígado, no baço no umbigo. Abdomen distendido.
Diarreia em crianças. Gases inodoros ou fétidos e quentes. Hemorróidas com prurido e dor ardente.
Tenesmo < após defecar.
Obstipação com ruído na gravidez.
Urina leitosa, parece-me fria.
Genitais masculinos frios e envolvidos.
Desejo sexual aumentado sem erecção. Ejaculação tardia, dolorosa e incompleta.
Dor ardente na uretra durante o coito.
Prurido vulvar intolerável com leucorreia. Dor em bearning-down intolerável no útero, > deitada, na menopausa, em mulheres frágeis e nervosas. < na menstruação. Prurido e ardor os mamilos.  Dismenorreia espasmodica. Prolapsp depois da menopausa.
Rouquidão ao cantar, tosse paroxística, com espirros repetidos durante u no fim da tosse.
Expectoração em bolinhas de ociosidade dura.
Palpitações ao acordar de manhã e ao a anoitecer. Extrassístoles, pulsações em todo o corpo. Coração alterado nos bebedores de chá, café e nos fumantes.
Rigidez na coluna < apoiado na cadeira e > pelo movimento.
Muito sensível ao tato, mais na região dorsal e por vezes em cada vértebra.
Dor sacrolombar que o obriga a ficar deitado  < quando evacuar, em pé, só  caminhar. Frio que irradia para as costas, como se escorresse água fria pela coluna.
Entorpecimento e falta de coordenação nas mãos e nos membros inferiores, tropeça ao caminhar, ataxia, os objectos caem das mãos. Rigidez reumática das mãos e dedos, principalmente à esquerda.
Tremor nas mãos. Movimentos convulsivos e sacudidas espasmódicas nas extremidades. Coreia. Estremecimentos a dormir, acorda muitas vezes.
Frieiras nas mãos nos pés.
Dores de crescimento nas crianças.
Sonolência pós prandial. Paroxismos de bocejos. Boceja e ri-se.
Febre na parte superior do corpo.
Suores antes do meio dia pelo menor esforço.
Pele avermelhada, com prurido, formigamento, que arde e incha. Tumores sebáceos. Gangrena. Edema angioneurótico.

Referências:
  • Vijnovsky - Matéria Médica Homeopática, Editora Organon 2 ° Edição 2014

Actea racemosa (Cimicifuga)

Actea racemosa
(Cimicifuga)

Sensação de ter uma nuvem negra, espessa e pesada a envoler-lhe a cabeça.
Especialmente na menstruação, gravidez, puerpério e menopausa tem tendência a ver tudo triste e escuro.
Ideias de suicídio.
O seu maior medo é de enlouquecer, tem medo de morrer, síndrome do pensamento acelerado. Tem medo de viajar num veículo fechado.
Exagerado medo do parto.
Dor na mama esquerda e no útero.
Delírio com midríase murmura constantemente. Com visões de ratazanas, ratos, demónios.
Delírium tremens com medo que a matem.
Loquacidade incessante. Fala sem parar, disto é daquilo de forma confusa.
Passa de um.assunto para o outro como Lachesis.
Sintomas mentais sucedendo ou que se alternam com sintomas reumáticos.
Quando os sintomas físicos agravam melhoram os mentais.
Perturbações por amor não correspondido, por fracasso nos negócios, emoções fortes, sustos.
Com muita desconfiança, até da medicação.
Memória fraca não consegue lembrar-se do que ía dizer.
Indiferente e taciturno tem interesse pelas tarefas do lar.
Irritável ao menor motivo. Impaciente, inquieta, nervosismo por ansiedade ou excesso de esforços.
Dores como choques elétricos, câimbras. Agitação e dor.
Coreia + à esquerda, com reumatismo.
Convulsões histéricas. Espasmos histéricos ou epiléptico, < menstruação.
< frio húmido, ar frio, à noite e de manhã.
> calor, por comer, em repouso e ao ar livre, pela pressão, pelo movimento suave e contínuo.
Lateralidade esquerda.
Cefaleia intensa occipital que irradia para o vértice, com pressão e batimentos, < na menstruação, pelo ruído ou movimento, > ao ar livre.
Cefaleia compressiva para fora ou para cima no vértice, como se a tampa do crânio fosse voar, < a subir escadas.
Nevralgia cilar com dores muito agudas nos olhos.
Sente que o cérebro é maior que o crânio.
Acessos de desmaios.
Dores intensas do lado direito da cabeça e atrás das órbitas.
Cefaleia em alcoólatras e estudantes.
Sensação ondulante no cérebro. Sensação de que o crânio se abre e fecha < com o movimento da cabeça e dos olhos.
Meningite cérebro-espinhal.
Midríase vê manchas escuras. Fotofobia pela luz artificial.
Zumbidos. Sensível ao menor ruído.
Transpiração retro auricular.
Bebe água fria pouca de cada vez. Atritos, náuseas, vómitos.
Cólicas periódicas, > dobrar-se e depois de defecar.
Alterna diarreia com obstipação.
Menstruações irregulares, copiosas ou escassas, com coágulos pretos, esgotantes e dolorosas.
Quanto mais abundante for a menstruação mais violentas são as dores.
Aplicada no último mês da gravidez facilita o parto e previne as cólicas no pós parto.
Dores reumáticas nos músculos do pescoço e costas, com tensão, rigidez e contraturas espasmodicas.
Sensibilidade ao tato das apófises espinhosa das três primeiras vértebras dorsais e coluna cervical.
A pressão mais leve produz uma dor viva e até vómitos.
No sono não descansa acorda com sensação de ter o corpo rígido.

Referências:
  • Vijnovsky - Matéria Médica Homeopática, Editora Organon 2 ° Edição 2014

12 de agosto de 2017

ABRAH presente em Lisboa – Portugal 2017



ABRAH presente em Lisboa – Portugal 2017


Homeopata Mafalda Miguel (PT); Prf. Drº Romeu Carillo (BR); Drª Solange Gosik (BR)

Foi com enorme gratidão que recebi o Prf. Dr. Romeu Carillo e a Drª Solange para uma magnífica palestra no passado dia 20 de Junho 2017 no Museu da Farmácia em Lisboa.
Aceitando um convite de virem a Portugal partilhar experiências com a comunidade de Homeopatas portugueses, o Prf. Romeu e a Drª Solange foram de uma extraordinária generosidade na partilha de conhecimentos e experiências.
Acompanhar o trabalho da ABRAH é muito gratificante pois dá-me a certeza de que a homeopatia praticada por profissionais exemplares dedicados e apaixonados trará um futuro brilhante no desenvolvimento do estudo e da prática de homeopatia no mundo.
Não podendo estar presente fisicamente a Drª Filomena foi reconhecida carinhosamente pela sua magnifica capacidade de omnipresença na organização deste encontro, foi fundamental para que tudo corresse bem.
Fica um excerto da notícia publicada:

O Dr. Romeu Carillo e a Dra. Maria Solange Gosik, deram uma palestra no magnífico Museu da Farmácia em Lisboa. O Dr. Romeu falou sobre o serviço de  homeopatia da ABRAH no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, no Hospital Antonio Pedro – UFF, no Departamento de Investigação das doenças neuromusculares
 – Cuidados Integrativos – UNIFESP, casos com excelente evolução clínica de ELA e
Miastenia Gravis, entre outros.
A Dra. Solange falou sobre o seu excepcional trabalho sobre o uso de homeopatia com crianças autistas no CAPS – infantil de Taboão da Serra.
(...)
A ABRAH agradece a oportunidade por mostrar nosso trabalho em Portugal. Ficamos gratos pelo acolhimento de nossos patrícios, em especial a Prof. Mafalda que mesmo com a distância tem estado presente com a ABRAH.

29 de abril de 2017

Estudo clínico, duplo-cego, randomizado, em crianças com amigdalites recorrentes submetidas a tratamento homeopático

REVISTA DE HOMEOPATIA 2017;80 1

Estudo clínico, duplo-cego, randomizado, em crianças com amigdalites recorrentes submetidas a tratamento homeopático.

Sergio E. Furuta¹, Luc L.M. Weckx², Claudia R. Figueiredo³

 Resumo Objectivo: avaliar a eficácia e segurança do tratamento homeopático em crianças com amigdalite recorrente, com indicação cirúrgica. Métodos: estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado, em que foram incluídas 40 crianças com idade variando de 3 a 7 anos, 20 crianças foram tratadas com medicação homeopática individualizada e 20 crianças receberam placebo. A duração do estudo de cada paciente foi de 4 meses. A avaliação dos resultados foi clínica, por meio de questionário padrão, de exame otorrinolaringológico, no primeiro e no último dia de tratamento. Utilizou-se como critério de amigdalites de repetição a ocorrência de 5 a 7 episódios de amigdalites agudas ao ano.

Resultados: das 18 crianças que completaram o tratamento homeopático, 14 não apresentaram nenhum episódio de amigdalite aguda bacteriana; das 15 crianças que receberam placebo por 4 meses, 5 pacientes não apresentaram amigdalite, com diferenças estatisticamente significantes (p=0,015). Nenhum dos pacientes apresentou efeitos colaterais aos medicamentos prescritos.

Conclusões: o tratamento homeopático foi eficaz nas crianças com amigdalites recorrentes, quando comparado ao placebo, excluindo 14 crianças (78%) da indicação cirúrgica. O medicamento homeopático não provocou eventos adversos nas crianças.

Palavras-chave Homeopatia; Amigdalite recorrente; Crianças; Estudo clínico randomizado e controlado Prospective, randomized, double-blind clinical trial on the efficacy of homeopathic treatment in children with recurrent tonsillitis

 Artigo originalmente publicado em Revista de Homeopatia 2007;70:21-26.
1 Mestre em Homeopatia pela Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo; pesquisador homeopata da Disciplina de ORL Pediátrica da EPM/UNIFESP; especialista em Pediatria e Homeopatia; 2 Professor titular do Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP; 3 Doutora em medicina pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP; especialista em Otorrinolaringologia e Homeopatia. * s.furuta@uol.com.br

 Introdução A amigdalite aguda é um processo inflamatório infeccioso agudo das tonsilas palatinas e a antibioticoterapia têm sido comummente indicada. Na primeira metade do século a amigdalectomia e a adenoidectomia chegaram a ser indicadas aos mínimos sintomas, até como cirurgia de rotina para quase todas as doenças de crianças. A partir dos anos 60, estudos mostraram a ineficácia da cirurgia em muitos casos, surgindo dúvidas sobre a indicação cirúrgica. Nessa época, iniciaram-se pesquisas sobre o papel imunológico das estruturas do anel linfático de Waldeyer , tornando a indicação cirúrgica mais conservadora e criteriosa [1].

A homeopatia, criada pelo médico alemão Samuel Hahnemann em 1796, tem sido utilizada com sucesso, pelos homeopatas na prevenção e tratamento das doenças das tonsilas palatinas e faríngea, reduzindo o número de pacientes com indicação cirúrgica [2]. Entretanto, a literatura a respeito da eficácia do medicamento homeopático é escassa.
No Brasil a homeopatia é reconhecida como especialidade médica pela Associação Médica Brasileira desde 1979 e pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980. Porém, sabe-se que a homeopatia foi introduzida no Brasil, na época do Império. A primeira escola de formação homeopática, a Escola Homeopática do Brasil, foi fundada no Rio de Janeiro em 1845 pelo médico francês Benoit Mure e o cirurgião português João Vicente Martins, reconhecida pelo governo imperial em 1846. O governo imperial oficializou as farmácias homeopáticas em 1880, através do decreto 9.554. Somente em 1952, a lei 1.552 tornou obrigatório o ensino de noções de farmacotécnica homeopática nas faculdades de farmácia do país [3]. Homeopatia (grego homoiós= semelhante + páthos= doença ou sofrimento) designa a ciência terapêutica baseada na lei natural de cura Similia similibus curentur (semelhantes curados pelos semelhantes). Representa um método terapêutico que permite um confronto de semelhança entre os sintomas de um doente com os obtidos pela experimentação de uma substância em indivíduos aparentemente sadios e sensíveis. Essa substância, medicamento homeopático, recebeu a denominação de simillimum ou remédio ‘de fundo’ e farmacologicamente é preparada sob a forma de ultra diluição [4].

Os princípios da homeopatia são: 1) lei da semelhança; 2) experimentação no homem sadio (as experimentações das drogas não devem ser em doentes ou animais, mas em homens sadios e sensíveis. O conjunto de manifestações apresentadas durante a experimentação recebe o nome de patogenesia); 3) 3emédio único (utilizar um único medicamento, o simillimum); e 4) dose mínima (medicamento diluído e dinamizado). 

Os medicamentos homeopáticos não são simples diluições de uma substância ao infinito. Cada vez que o medicamento é diluído, é agitado vigorosamente, mecanismo denominado sucussão. Acredita-se que esta agitação ‘desperta’ uma energia medicamentosa latente (dinamização). Provêm dos três reinos : vegetal, mineral e animal. A preparação medicamentosa geralmente é feita nas escalas decimal e centesimal. Na escala decimal dilui-se uma parte da substância básica em 9 partes de um veículo e agita-se (sucussão) 100 vezes (1 d). O veículo geralmente é o álcool etílico a 30 %. Na centesimal a diluição é feita com uma parte da substância básica em 99 partes de veículo e sucussiona-se 100 vezes (1cH = 1 centesimal hahnemaniana). Define-se medicamento isopático, segundo a Farmacopeia Homeopática Brasileira [6], como preparações medicamentosas de uso homeopático obtidas a partir de produtos  biológicos, quimicamente indefinidos, secreções, excreções, tecidos e órgãos, patológicos ou não, produtos de origem microbiana e alérgenos. Segundo Costa [7], isopatia é o método de curar as doenças por meio dos seus agentes causais manipulados mediante técnica homeopática (dinamizados). O mesmo autor preconiza a associação da homeopatia e isopatia nos tratamentos, utilizando três medicamentos para um mesmo paciente: (a) medicamento baseado na totalidade sintomática do paciente, o remédio constitucional, ou ‘de fundo’, ou ‘sósia’ medicamentoso homeopático; (b) remédio episódico ou sindromico, isto é, aquele que corresponde aos sintomas agudos, mais incomodativos, geralmente localizados, normalmente um remédio específico para a patologia física, dentro de uma conduta organicista; e (c) medicamento etiopatogenico e /ou fisiopatológico da doença; conforme o caso clínico a saber: c.1) nosódios – isopáticos não lisados ou destruídos, e/ou vivos específicos, dinamizados, autógenos; c.2) alérgenos ou mediadores dinamizados; e c.3) organoterápicos dinamizados. Denomina-se nosódio (grego nosos: doença) o medicamento preparado segundo a farmacotécnica homeopática, com produtos patológicos vegetais, animais ou de uma cultura bacteriana 8 . Este estudo, duplo-cego, randomizado, visou avaliar a eficácia e segurança do tratamento homeopático em crianças com indicação cirúrgica de amigdalectomia por infecções recorrentes. Casuística Foram selecionados 40 pacientes do ambulatório da Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP e do Hospital São Paulo, no período de março/2000 a setembro/2001, com faixa etária de 3 a 7 anos, com indicação cirúrgica de amigdalectomia por infecções de repetição, aguardando vaga para cirurgia. Excluíram-se deste estudo pacientes com doenças sistémicas e os com imunodeficiência. Considerou-se como amigdalite aguda bacteriana o conjunto de sintomas: dor de garganta, febre (>37,8º C), adinamia, odinofagia, inapetência e aumento dos linfonodos cervicais, associados ao exame físico que deveria mostrar hiperemia, edema e exsudato purulento [9]. Quanto à frequência das crises foi considerado como pacientes com amigdalite aguda de repetição os que apresentaram 5 a 7 episódios de amigdalite aguda por ano [10]. A amostra foi dividida e randomizada em dois grupos duplo-cego: Grupo I - 20 crianças com diagnóstico de amigdalite recorrente, submetidas a tratamento homeopático, por 4 meses; Grupo II - 20 crianças com diagnóstico de amigdalite recorrente, submetidas a tratamento com placebo, por 4 meses. Os pais ou responsáveis pelo paciente foram informados do objectivo do estudo e obtido o consentimento escrito dos mesmos. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo – EPM.
Métodos O tratamento homeopático constou da administração de 3 medicamentos, para todos os pacientes do grupo I, baseado na experiência pessoal de Costa [7] e Linhares [2]: 1) medicamento constitucional do paciente, também conhecido homeopaticamente como ‘simillimum’ ou ‘de fundo’, individualizado, baseado nas semelhanças físicas e mentais do paciente, obtidas na anamnese, na potência de 30cH em dose única, reavaliado a cada 4 semanas, por 4 meses. Utilizou-se o programa de informática Repertório Homeopático Digital II [11] para auxiliar na determinação do medicamento simillimum; 2) medicamento baseado nas características orgânicas, locais, das tonsilas palatinas, Baryta carbonica na potência 6cH , diariamente, por 4 meses; e 3) medicamento isopático, composto por Streptococcus beta hemolítico, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae e Amígdala, manipulados segundo a técnica homeopática na potência 21cH, diariamente, por 4 meses. Os pacientes do grupo II receberam placebo como se fosse o medicamento constitucional do paciente em dose única, placebo como se fosse Baryta carbonica diariamente, placebo como se fosse o composto Streptococcus beta hemolítico, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae e Amígdala, diariamente, por 4 meses. O pesquisador e o paciente não sabiam se o medicamento administrado era homeopático ou placebo. A listagem dos medicamentos randomizados foi feita pelo farmacêutico homeopata, responsável pela confecção dos medicamentos e só foi divulgada após o termino do tratamento de todos os pacientes. O placebo foi constituído por álcool etílico a 30%, que foi o veículo do medicamento homeopático. A função do álcool é o de conservante. Todos os medicamentos utilizados neste estudo estão de acordo com a Farmacopeia Homeopática Brasileira [6].
A avaliação clínica constou de questionário padrão, em que foram mensalmente, por 4 meses, indagados em número e intensidade os episódios de amigdalites de repetição. Todos os pacientes foram submetidos a avaliação otorrinolaringológica que constou de exame otorrinolaringológico (oroscopia, rinoscopia anterior e otoscopia) no primeiro e no ultimo dia de tratamento, por um otorrinolaringologista da Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina / UNIFESP. Os pacientes que apresentaram crises agudas de amigdalite bacteriana foram medicados com antimicrobianos. No final do estudo, todos os pacientes que mantiveram a indicação cirúrgica foram encaminhados para cirurgia. No método estatístico, foi aplicado o teste exacto de Fisher ou uma extensão para tabelas maiores que 2 x 2, tendo-se fixado como nível de significância o valor 0,05 ou 5%, assinalando-se com um asterisco (*) os valores significantes.
Resultados Foram recrutadas inicialmente 40 crianças com diagnóstico de amigdalite recorrente com indicação cirúrgica, mas fizeram o acompanhamento por 4 meses 33 pacientes, sendo 20 (61%) do sexo feminino e 13 (39%) do sexo masculino, com idades variando de 3 a 7 anos . Ocorreram 7 desistências, sendo 2 no grupo I, medicação homeopática, e 5 no grupo II, placebo. As 2 desistências no grupo medicação homeopática foram por morar longe, com dificuldade de condução (casos 24 e 37). No grupo placebo foram por mudança de cidade (caso 4), amigdalite e antecedente de convulsão febril (caso 22) e causa ignorada (casos 14, 27, 37). Os medicamentos homeopáticos, prescritos individualmente pelo princípio da similitude para as crianças do grupo I foram: Lycopodium clavatum, Pulsatilla nigricans, Lachesis muta, Belladonna, Nux vomica e Phosphorus . Gráfico 1 – Medicamentos prescritos / amigdalite recorrente / Grupo I No grupo tratado com medicamento homeopático (grupo I), 4 pacientes (22%) apresentaram amigdalite aguda, tendo sido submetidos a antibioticoterapia, e 14 pacientes (78%) não tiveram amigdalite (gráficos 2 e 3) e (tabela 1). No grupo II (placebo) ocorreram amigdalites em 10 pacientes (67%), os quais foram submetidos a tratamento com antibiótico ( gráficos 2 e 4). Não tiveram amigdalite, 5 pacientes (33%). A análise estatística mostrou diferença significativa (P=0,015 ou 1,5% *) , indicando que houve uma eficácia maior no grupo submetido a tratamento homeopático. Não ocorreram eventos adversos nos pacientes dos grupos I e II, relativos à utilização dos medicamentos homeopáticos e placebo. 7 5 3 2 1 1 N Lycopodium Pulsatilla Lachesis Belladonna Nux vomica Phosphorus
Tabela 1: Evolução dos pacientes, com amigdalite recorrente Teste exacto de Fisher: P= 0,015 ou 1,5% * Grupo Não houve amigdalite Houve amigdalite Total Placebo 5 10 15 Medicação 14 4 18 Total 19 14 33 Gráfico 2: Evolução dos pacientes com amigdalite recorrente no grupo homeopático e no grupo placebo. Teste exacto de Fisher: p= 0,015 ou 1,5%* Gráfico 3 – Amigdalite recorrente: Evolução dos pacientes do grupo I - Ocorrência de amigdalite Gráfico 4 – Amigdalite recorrente: Evolução dos pacientes do grupo IIOcorrência de amigdalite 10 4 5 14 0 2 4 6 8 10 12 14 Frequência absoluta Houve Não Houve Placebo Medicação
Discussão A homeopatia tem sido utilizada como uma alternativa na terapia das amigdalites de repetição, com a finalidade de se evitar o uso abusivo dos antibióticos e diminuir as indicações cirúrgicas. Lustoza publicou, em 1941, o artigo: “Afecções da garganta e seu tratamento à luz da homeopatia” [12], que ainda continua actual. Este artigo mostra que os conceitos e tratamentos homeopáticos se mantém ao longo dos anos. A dificuldade na utilização do método duplo-cego randomizado nas pesquisas homeopáticas está na característica da homeopatia em individualizar cada paciente, determinando pelo principio da similitude, o medicamento específico (simillimum), independente do diagnóstico clínico em questão. A homeopatia trata o doente como um todo, não apenas um sintoma ou uma doença. Assim, para o diagnóstico clínico de amigdalite recorrente foram seleccionados pelo princípio da similitude, 6 medicamentos homeopáticos distintos, individualizados. O tempo médio na consulta inicial deste estudo foi de 60 minutos, e o atendimento de todos os pacientes foi realizado por um único médico. Este foi um dos factores que dificultou o aumento do número de pacientes. O efeito placebo de uma boa relação médico paciente nas consultas homeopáticas sempre foi motivo de discussão entre alopatas e homeopatas. O argumento de que a eficácia do tratamento homeopático seria decorrente da sugestão encontra um contra argumento por parte dos homeopatas que tratam animais e crianças pequenas, que não seriam sugestionáveis. Gonçalves justifica a opção pelo modelo experimental, utilizando ratas na sua pesquisa, para evitar o “efeito médico-paciente” [13]. Apesar de Hahnemann [14], ter apregoado o remédio simillimum como o único capaz de curar homeopaticamente um enfermo com doença crónica, sem necessidade de associações, optou-se neste trabalho por uma linha pluralista, utilizando-se remédio de fundo, remédio organicista e isopáticos, de acordo com a experiência pessoal dos autores e de outros como Costa [7] e Linhares [2]. O medicamento homeopático Baryta carbonica utilizado em todos os pacientes do grupo I é considerado como um dos clássicos por Lustoza [12], indicado por Cairo [15], Costa [7], Tejada [16], Hom [17] e Linhares [2]. Na composição do medicamento isopático, isto é, aquele medicamento preparado homeopaticamente a partir dos agentes que causam as doenças, as bactérias Streptococcus beta hemolítico, Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae foram selecionadas por serem as principais causadoras das amigdalites bacterianas agudas [18, 19]. Ocorreram desistências de 7 pacientes (17,5%), sendo 2 (5%) no grupo I (medicamento homeopático) e 5 (12,5%) no grupo II (placebo). Nota-se um predomínio de desistências no grupo placebo, podendo-se supor que estes pacientes não estavam motivados a prosseguir o tratamento, talvez por falha terapêutica. A maioria dos pacientes que procuram tratamento homeopático o fazem por achar que é natural e mais seguro que o tratamento tradicional, alopático. Nesta pesquisa não foram constatados efeitos colaterais dos medicamentos homeopáticos utilizados.

Conclusões Dos resultados obtidos pela avaliação clínica de 33 pacientes com amigdalite recorrente com indicação cirúrgica , com 3 a 7 anos de idade, submetidos a tratamento homeopático ou placebo, duplo-cego, randomizado, com acompanhamento por 4 meses, pode-se concluir que: 1) o tratamento homeopático foi eficaz nos pacientes com amigdalite recorrente, excluindo 14 pacientes (78%) do grupo I, da indicação cirúrgica; O medicamento homeopático não provocou efeitos colaterais nos pacientes. 

Agradecimentos: Ao Dr. Carlos Roberto Dias Brunini pelo apoio e à farmacêutica homeopata Andréa Cristina de Oliveira pelo fornecimento dos medicamentos. Aos pós-graduandos e especializandos da Disciplina de ORL Pediátrica da UNIFESP/EPM pelas consultas e exames otorrinolaringológicos deste trabalho.

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